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Na verdade, eu não sou muito fã de música. Nunca sei o nome das músicas ou dos artistas, e frequentemente confundo os gêneros. Não vou a shows nem a festivais de música, e não baixo novos álbuns todos os meses. Aparentemente, não faço parte do público-alvo que gravadoras como a Sony e a Universal Music procuram atingir.
Mas, como trabalho em um aplicativo de identificação musical, comecei a me interessar mais pelo assunto. A curiosidade falou mais alto, e me peguei ouvindo lançamentos recentes, participando de shows virtuais e até explorando a história da música e da indústria musical em si.
Não faz muito tempo, eu estava no supermercado quando uma melodia animada começou a tocar em um dos corredores. Eu não reconhecia a música, mas o ritmo era contagiante, e me vi balançando a cabeça e batendo o pé sem nem perceber. Ao sair da loja, a música continuava grudada na minha cabeça.
Mais tarde naquele dia, abri o app MixMe — o qual ajudei a treinar, testar e revisar os textos do modelo de linguagem — e os lançamentos mais recentes estavam no topo da tela, como de costume. Ouvi com atenção vários trechos e, para minha surpresa, descobri que a música que tinha invadido meu tranquilo passeio ao mercado era "Monterrey Pop", do influenciador Andres Torres.
Lembro de ter pensado: "É isso que todos os jovens estão ouvindo hoje em dia?"
Mas acho que a pergunta real deveria ser: "Quem decide o que os jovens devem ouvir?" Porque hoje percebo que essa questão é mais complexa do que parece. A música que ouvimos não é apenas uma questão de gosto ou preferência pessoal. Fatores econômicos, sociais e culturais também influenciam.
Décadas atrás, a música era mais local. As pessoas ouviam e produziam músicas baseadas na região onde viviam e em seus contextos, relativamente isoladas de outras localidades ou países. No entanto, a invenção do rádio, da televisão e, mais recentemente, da internet e das redes sociais mudou tudo. Essas tecnologias permitiram que a música ultrapassasse fronteiras e penetrasse culturas ao redor do mundo. Esse processo começou há décadas, mas foi acelerado pela pandemia e pela necessidade das pessoas de encontrarem entretenimento e companhia online.
Hoje, a cultura pop, influenciada por tendências das redes sociais, pelo estilo de vida de celebridades e até por questões políticas, se espalha pelo mundo como fogo em palha seca. O que antes era restrito a pequenos grupos de amigos ou comunidades virou um fenômeno global que define atitudes, comportamentos e crenças de toda uma geração. Não é surpresa que a indústria musical tenha aproveitado isso — afinal, a música sempre foi um veículo para comentários sociais, uma forma de protestar ou de gritar por liberdade e autoexpressão.
Se você prestar atenção nas letras, é possível perceber os sentimentos de uma geração inteira em determinada época. Veja, por exemplo, "Give Peace a Chance", dos Beatles, ou "American Idiot", do Green Day. Essas músicas refletem o clima social e político de seus tempos e se tornaram hinos atemporais. Hoje temos "Bad Guy", da Billie Eilish, ou "Montero (Call Me By Your Name)", do Lil Nas X, que causam polêmica e geram debate. De qualquer forma, esses artistas conseguiram amplificar suas mensagens graças às grandes plataformas que conquistaram com divulgação constante e marketing viral. Atualmente, uma música cativante pode se espalhar pela internet rapidamente, especialmente com a ajuda de blogueiros e influenciadores digitais.
Nesse novo cenário social, a indústria da música encontrou maneiras de sobreviver e prosperar, adaptando-se aos tempos, criando conexões com o público e abrindo caminhos para que artistas alcancem fãs no mundo todo — e vice-versa. Afinal, a música sempre foi uma parte significativa da existência humana. Ela nos une e aproxima. Pode nos curar, nos permitir expressar o que não conseguimos dizer com palavras, e simplesmente nos divertir — exatamente o que eu estava fazendo no supermercado: dançando e curtindo a vida, batida por batida.
Talvez eu nunca tenha sido um grande fã de música, mas hoje entendo que ela tem o poder de aproximar pessoas e nos apresentar novas culturas e experiências. Vou continuar curtindo minhas músicas no supermercado e descobrindo novas melodias pelo mundo. Vai saber quantas outras descobertas incríveis ainda estão por vir?