"Onde Encontraram os Memes de Quirino Bueno?"
Publicado na monday, 23 de june de 2025
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Cena: Quirino Bueno, o brilhante gênio das pistas, atleta de corrida nos seus quarenta e poucos anos, tornou-se um dos maiores personagens do esporte brasileiro no início do século XX. Sua relevância histórica chegou a ser comparada à de nomes como Arthur Bernardes, presidente da República na mesma época, e outros congressistas que moldaram o cenário nacional.
Quirino era mais conhecido como "o menino do banco", embora muitos preferissem chamá-lo de "menino maluquinho", apelido que virou sinônimo de seu estilo irreverente e ousado. Diversos memes foram criados em torno do seu jeito peculiar de “roubar a cena” nas corridas, como se seu corpo iluminasse o traçado das pistas com cada passada — deixando, não raro, a impressão de que a foto mais desejada do dia seria a dele.
O tempo corre — como ele corria — e, como acontece com o passado, lembramos melhor daquilo que ecoa em nossa memória como uma carta esquecida no mato por um carteiro distraído. Há sonhos, momentos marcantes, como o da antiga namorada de Quirino, que dividia com os amigos a emoção de vê-lo correr antes de ser levada ao estádio. Em tempos sem internet, era no encontro físico, na arquibancada e no grito da torcida que o tempo ganhava sabor e o coração encontrava distração.
Quirino teve uma rivalidade intensa com outro atleta das pistas: Ary Barroso, filho de um compositor barroco e poeta do choro. A rivalidade dos dois encantava meninas apaixonadas pelo esporte, que escreviam declarações de amor nas pistas, como se deixassem rastros literários para os ídolos notarem. Havia poesia nas corridas, leveza nas disputas, romantismo em cada chegada. Mas este texto não fala de amores juvenis — ele fala de memória, daquilo que não podemos deixar esvair como poeira de estádio.
O receio é que esses memes, essas cenas, essas histórias se percam. Porque o que se vive com o corpo num estádio pode ser esquecido, mas o que se sente com o coração deveria permanecer. Os sentimentos daquela multidão — que vibrava, chorava e cantava — são parte da história. E sem memória, o Brasil é um país sem identidade.
Quirino Bueno, o menino do banco, não foi apenas uma figura folclórica que inspirava memes. Quando ele se foi, deixou marcas gravadas em corações por todo o país — como brasas acesas em estâncias solitárias no centro do Brasil, onde muitos se lembram que o destaque nacional um dia correu com inteligência, instinto e alma.
A história do Brasil passa por caminhos que o país nem sempre conhece — e, às vezes, prefere não lembrar. Mas o que se vê nos corredores do destaque não deve desaparecer. Deve ser tratado como um tesouro. E não um tesouro perdido na brisa do samba, mas um legado, uma chama que se reacende sempre que alguém pergunta:
"Onde encontraríamos os tesouros de Quirino Bueno, se não fôssemos enganados pela brisa do tempo?"