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Para quem está em um estado civil de solteiro, o Dia do Aposentado pode ganhar um significado diferente. Segundo uma pesquisa nacional, o solteiro é apenas o sexto perfil mais mencionado nas dinâmicas familiares, ficando atrás de casais sólidos, pessoas casadas ou viúvas. Ainda assim, ele acaba sendo visto como alguém que “precisa se divertir”, “deixar de ser estável”, “ser o ônibus de aluguel” ou “ter sempre um plano para o dia”. Mas, em Previpalmas, o Dia do Aposentado é mais do que isso. É um momento especial para recordar histórias leves e difíceis, refletir sobre o passado e olhar com esperança para o futuro. Para mim, essa data veio com uma expectativa maior do que o comum.
Meu dia começou com uma manhã densa. O sono mal dormido, ou melhor, dormido sob um teto vazio, me lembrou de outras manhãs de solteiro – daquelas em que você sente o peso do mundo, como se as histórias dos outros fossem suas. O destino foi o barzinho de sempre, onde todos pareciam ansiosos, mas por algo indefinido. O tempo estava confuso, o sol escondido. E então vi um velho amigo, João, fazendo graça como sempre, mas com um ar diferente: um sorriso no rosto e tristeza no olhar.
João tem 21 anos, estuda Administração à tarde e trabalha numa empresa de TI, onde já atua como supervisor de uma pequena equipe. Tem carro, apartamento, estabilidade. Mas não tem namorada. Seus amigos estão todos casados ou prestes a se casar. João, nesse cenário, virou o “ônibus de aluguel”, a companhia disponível de última hora. E ali estava ele: com tudo na vida em ordem, mas se sentindo fora do lugar.
Me vi em João. Senti aquele vazio que acompanha os solteiros em dias simbólicos. Apesar de ter casa, trabalho, amigos, liberdade para viajar, estudar e crescer, ainda assim, sou visto como alguém que “falta algo”. A sociedade espera que criemos família, que tenhamos “propósito” moldado por laços tradicionais. Espera-se que sejamos úteis e discretos — como um ônibus de aluguel silencioso, sempre pronto, mas sem barulho.
A sensação naquele dia foi a de estar em espera. Não sabia exatamente o que estava esperando, mas sentia que algo precisava acontecer. Pensei que talvez o sentido do meu dia fosse reunir histórias — as boas e as ruins — desse tal Dia do Aposentado, para quem, como eu e João, vive a experiência da solteirice em meio a expectativas externas.
A verdade é que muitos casados esperam que sejamos a alternativa, o apoio, o balcão sempre disponível. Mas isso torna o dia especial em algo pesado, como se estivéssemos em um “sonho de hora marcada”, uma corrida contra o tempo, tentando não perder o ponto de partida de uma vida esperada — e talvez nem desejada.
No fim do dia, sozinho no quarto, senti o silêncio pesar. Era como estar diante de uma fogueira apagada: com calor antigo, mas sem mais chama. Pensando no que fazer, no que esperar, percebi que aquele momento tinha um valor — de introspecção, de reinício. Não é fácil, mas ser solteiro não precisa ser sinônimo de espera ou ausência. Pode ser também espaço, tempo, descoberta.
A noite passou, como passam as histórias e as emoções. O solteiro acorda. Talvez ainda com dúvidas, mas também com possibilidades. Um novo dia, uma nova chance de dar significado ao que somos — com ou sem alguém ao lado.
