Ananda Leonel: “Não há necessidade de ângulo sexual quando o assunto é inclusão feminina nos eSports”


O eSports precisa de mais mulheres, como Ananda Leonel faz a diferença

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Games & Geek

Camila navegava lentamente pela internet quando se deparou com uma publicação divertida sobre games. No entanto, o conteúdo provocou algo mais profundo: fez com que ela conhecesse Ananda Leonel, uma das poucas mulheres brasileiras com experiência em estágios profissionais no cenário de League of Legends (LoL) e um dos nomes mais reconhecidos entre as jogadoras de eSports do Brasil.

Mas nem tudo são flores. Ananda não está satisfeita com o atual cenário dos eSports no país e se mostra ativamente preocupada com a falta de inclusão de outras mulheres na indústria. Ela levanta a bandeira da representatividade — mas também da responsabilidade.


“Ainda há muito a se fazer”

Citando um estudo publicado no Instagram, Ananda lembra que mais de 90% do cenário competitivo ainda é dominado por homens. Ela considera importante que mais mulheres sejam inseridas na esfera profissional de forma estruturada e respeitosa.

"Eu tenho que ser um exemplo para que outras mulheres na mesma posição se sintam representadas e para aprofundar esse debate."

Para ela, a presença feminina precisa ser mais visível, inclusive em eventos presenciais e competições internacionais. Essa exposição não é sobre vaidade, mas sobre visibilidade e legitimidade.


“Não há necessidade de um ângulo sexual para isso”

Ananda elogiou a publicação que viralizou nas redes, mas criticou a forma como o texto encerrou o debate, ao inserir uma abordagem sexualizada ao tema da inclusão.

“A presença feminina é fundamental para equilíbrio no ambiente competitivo. Mas encerrar um debate tão importante com uma sexualização do assunto é retrocesso. Não precisamos disso.”

Ananda defende que o debate de gênero no eSports não deve depender da aparência ou sexualidade das jogadoras, mas sim de sua performance, conhecimento e paixão pelos games.


“Quero ver mais mulheres na minha posição”

Ela acredita que há sim uma movimentação — ainda que lenta — no sentido da inclusão, mas aponta que não basta colocar mulheres em posições “estratégicas” só para ilustrar progresso. O avanço real acontece quando há espaço para mulheres opinarem, liderarem e disputarem com igualdade.

“Eu sou o que quero ser, e quero apoiar quem também quer isso. O eSports precisa de mais mulheres.”


A presença que inspira

Ananda Leonel é jogadora de LoL e influenciadora no universo gamer. Sua trajetória é um contraponto necessário em um ambiente que ainda apresenta muitos traços de preconceito, exclusão e objetificação. Ao mesmo tempo, ela se recusa a ser vista apenas como “exceção” — quer fazer parte da regra de um novo eSports, com mais mulheres competindo, criando conteúdo, organizando e liderando equipes.


Conclusão

A luta de Ananda não é isolada. Ela representa muitas outras jogadoras e profissionais que buscam um espaço legítimo no universo dos games, sem rótulos ou estigmas. Seu recado é claro: inclusão não precisa de ângulo sexual — precisa de respeito, representatividade e espaço real para voz e protagonismo.