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Memes & Humor
O Dia dos Namorados vem quase que assim de noite, quase que com uma noite condizente. É mais um inimigo para quem gosta de dormir de madrugada, mais um inimigo de quem gosta de respirar o ar do fim de semana sem pressa. Mas, como não é mais aquele tempo dos anos trinta, quarenta, cinquenta — quando o amor precisava de cartas e coragem —, eu aproveito para passar pela TV, só pra ver quem está lá. Quem está feliz, quem está contente, quem está fingindo que foi até lá.
E, como sempre, eu passo também para desfazer alguns dos presentes. Sei lá, só pra colocar uma piadinha no ar. Uma piadinha que talvez desperte a verdadeira felicidade dos outros — aquela que não se compra, só se percebe.
Alguns anos atrás, teve a famosa piadinha do Ângelo Delano — que nem humorista era — e da infame banda Rato de Prata, que também não era nada demais. Mas tinha aquela voz intensa do casal, aquele casal que nem se encarnava, mas que funcionava. E o Dia dos Namorados deixou de ser só uma data comercial para virar piada, uma piada com gosto de insegurança, de quem tem que sair com pressa, só pra não ficar pra trás.
E eu ali, no muro invisível do estúdio de quem dizia que não era pra mim. E eu ali, ouvindo quem nem sabia o que dizer de novo.
Mas pra mim, amizade não passa por escaninho. Solidariedade não tem a ver com teclas de máquina de escrever. Tem a ver com os que estão aqui, ao lado — não do outro lado do telão, não no comercial bonito, não no outro canal. Solidariedade é o que senta ao seu lado e fica em silêncio. Que está, mesmo quando não parece.
A amizade e a solidariedade podem ser capturadas por uma boa comédia, por um evento qualquer, ou até por uma piadinha solta. Uma piadinha que saiba colocar a felicidade dos outros no ar. Que traga o pensamento de que, às vezes, um gesto bobo é mais verdadeiro do que uma declaração solene.
Essas coisas só podem ser percebidas por quem tem sensibilidade. Por quem enxerga o outro. Por quem sabe capturar intenções não ditas, expressões mal colocadas, sentimentos escondidos entre os silêncios.
E ela vem — a piadinha. Não pela primeira vez. E, talvez, já nem seja mais uma piada. É quase uma frase. Uma daquelas frases que parecem pequenas, mas dizem tudo. Uma piadinha de dia, uma piadinha de amor, de romance, de desejo, de solidariedade. A piadinha que diz que o amigo não ficou, mas deixou um afeto.
A piadinha, que nem é piada, é ensinamento. É pausa. É flor. É manhã. É o lembrete de que a amizade verdadeira não passa por escanço, nem por validação.
E aí, como sei que você está sentado aqui do lado — somos dois poucos, num banco qualquer, num sofá gasto —, escolho você. Você que faz piada de mim. Você que não prometeu nada, mas ficou. Você que é meu amor, minha amizade, meu Dia dos Namorados. Você que está aqui, ao meu lado.
O Dia dos Namorados vem quase que assim de noite, quase que com uma noite condizente. É mais um inimigo para quem gosta de dormir de madrugada, mais um inimigo de quem gosta de respirar o ar do fim de semana sem pressa. Mas, como não é mais aquele tempo dos anos trinta, quarenta, cinquenta — quando o amor precisava de cartas e coragem —, eu aproveito para passar pela TV, só pra ver quem está lá. Quem está feliz, quem está contente, quem está fingindo que foi até lá.
E, como sempre, eu passo também para desfazer alguns dos presentes. Sei lá, só pra colocar uma piadinha no ar. Uma piadinha que talvez desperte a verdadeira felicidade dos outros — aquela que não se compra, só se percebe.
Alguns anos atrás, teve a famosa piadinha do Ângelo Delano — que nem humorista era — e da infame banda Rato de Prata, que também não era nada demais. Mas tinha aquela voz intensa do casal, aquele casal que nem se encarnava, mas que funcionava. E o Dia dos Namorados deixou de ser só uma data comercial para virar piada, uma piada com gosto de insegurança, de quem tem que sair com pressa, só pra não ficar pra trás.
E eu ali, no muro invisível do estúdio de quem dizia que não era pra mim. E eu ali, ouvindo quem nem sabia o que dizer de novo.
Mas pra mim, amizade não passa por escaninho. Solidariedade não tem a ver com teclas de máquina de escrever. Tem a ver com os que estão aqui, ao lado — não do outro lado do telão, não no comercial bonito, não no outro canal. Solidariedade é o que senta ao seu lado e fica em silêncio. Que está, mesmo quando não parece.
A amizade e a solidariedade podem ser capturadas por uma boa comédia, por um evento qualquer, ou até por uma piadinha solta. Uma piadinha que saiba colocar a felicidade dos outros no ar. Que traga o pensamento de que, às vezes, um gesto bobo é mais verdadeiro do que uma declaração solene.
Essas coisas só podem ser percebidas por quem tem sensibilidade. Por quem enxerga o outro. Por quem sabe capturar intenções não ditas, expressões mal colocadas, sentimentos escondidos entre os silêncios.
E ela vem — a piadinha. Não pela primeira vez. E, talvez, já nem seja mais uma piada. É quase uma frase. Uma daquelas frases que parecem pequenas, mas dizem tudo. Uma piadinha de dia, uma piadinha de amor, de romance, de desejo, de solidariedade. A piadinha que diz que o amigo não ficou, mas deixou um afeto.
A piadinha, que nem é piada, é ensinamento. É pausa. É flor. É manhã. É o lembrete de que a amizade verdadeira não passa por escanço, nem por validação.
E aí, como sei que você está sentado aqui do lado — somos dois poucos, num banco qualquer, num sofá gasto —, escolho você. Você que faz piada de mim. Você que não prometeu nada, mas ficou. Você que é meu amor, minha amizade, meu Dia dos Namorados. Você que está aqui, ao meu lado.
